COMO UTILIZAR DIFERENTES TÉCNICAS DE LOCAÇÃO TOPOGRÁFICA?

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Neste post, serão explanadas as técnicas que permitem posicionamento centimétrico para locação topográfica, entretanto, não será comentada a correção diferencial por satélite.

Atualmente, com o aumento da demanda de serviços topográficos no Brasil, a palavra produtividade está cada vez mais presente no dia a dia, como também estão os termos preço e custo benefício. A relação do tamanho e tempo do projeto x custo do equipamento se torna essencial na decisão da técnica de posicionamento a ser utilizada.

Antes de iniciar a construção, devem-se materializar, em campo, os pontos que definirão as posições estratégicas da obra, como eixos de uma rodovia, fundação de um edifício, pilares de uma ponte, divisas de lotes e assim por diante. Nesse sentido, a locação de pontos se faz essencial, pois um erro, durante o processo de locação, pode resultar, diretamente, em um erro da execução da obra.

Para a implantação de pontos, várias técnicas de posicionamento podem ser utilizadas, logo, os profissionais da área de agrimensura determinam qual delas usarão em suas aplicações conforme o tipo de trabalho, a técnica de posicionamento conhecida e o equipamento disponível.

O objetivo deste post é mostrar as diferentes variáveis e decisões que o profissional precisa saber na implantação de pontos. Abaixo, segue uma escada da evolução dos equipamentos usados para locação.

 

Um pouco da história no Brasil da locação topográfica:

Com a introdução da estação total nos anos 90, ocorreu a primeira quebra de paradigma na implantação dos pontos, ou seja, não era mais necessário puxar a trena após a determinação do ângulo utilizando o teodolito, isso gerou grande ganho de tempo e produtividade.

 

No início dos anos 2000, iniciou-se o uso da técnica RTK/UHF , através da qual o receptor GNSS permite que apenas um profissional estabeleça coordenadas centimétricas, em campo, desde que receba correções de outro receptor GNSS.

Na última década, o uso das técnicas RTK/GSM e RTK em rede vem se tornando a mais produtiva e praticada pelos profissionais da área, uma vez que mantém as características da anterior sem necessitar de um receptor base em campo.

 

Atualmente, na agricultura de precisão (AP) e no controle de máquinas da construção civil(CM), incorporaram-se os receptores GNSS, os quais recebem a correção diferencial centimétrica, dentro dos maquinários, guiando a máquina através do controle hidráulico e da interface gráfica com o usuário. Assim, devido à total necessidade da locação de pontos, seja na AP ou no CM, essas aplicações já foram agregadas às máquinas eliminando-se, portanto, o agrimensor do campo nesse tipo de trabalho.

Aplicações práticas na locação de pontos:

Para a construção de uma obra, por exemplo, inicialmente, é necessário realizar o levantamento topográfico do terreno de forma a fornecer subsídios para que o profissional responsável possa efetuar seu projeto.

Nesta aplicação, o objetivo principal é encontrar e materializar pontos projetados sobre a superfície do terreno, garantindo a correta posição relativa dos vértices projetados (coordenadas topográficas locais) ou a posição em relação a um sistema espacial de referência, como, por exemplo, pontos georreferenciados ao sistema de referência SIRGAS2000 (coordenadas UTM).

Para esse tipo de trabalho, é imprescindível uma precisão posicional ao nível de centímetro sendo, portanto, necessário o uso de uma estação total (topografia convencional) ou de receptores GNSS a partir das técnicas RTK/UHF, RTK/GSM ou, ainda, RTK em Rede.

 

1-  Utilizando Estação Total:

  1. a) Mecânico: o uso mecânico nada mais é do que um técnico operando, manualmente, a estação total visando ao prisma (fazer a leitura e focar). A imagem, abaixo, mostra um exemplo de locação utilizando o método de ângulos e distâncias. O dAZ é o ângulo que o operador deve mover até zerar e o DH# a distância que o auxiliar movimenta o prisma até o ponto a ser locado.

 

  1. b) Mecânica com laser pointer: como dito acima, o modo da locação continua sendo manual, porém a estação total tem um auxílio de laser (LumiGuide), tanto para ajudar o operador quanto o auxiliar em campo, que poderá definir o alinhamento do ponto através da luz guia. Sendo assim, aumentam-se a produtividade e a velocidade de locar os pontos em campo. Na imagem abaixo, há um exemplo de uma estação total com laser da Spectra Precision, a Focus 8:

 

 

  1. c) Tecnologia LockNGo – A FOCUS 30® possui um sensor de monitoramento que utiliza a tecnologia de rastreamento LockNGo e permite a estação total acompanhar o prisma automaticamente,  em todos os momentos, evitando que o operador tenha que focar o prisma durante a locação de pontos, reduzindo o tempo final da medição. Pode-se dizer que a Focus 30 persegue o prisma e já ajusta o foco automaticamente, ou seja, o operador da estação total apenas informará o auxiliar  as distâncias, no eixo, que deve seguir para completar a locação do ponto.

 

 

  1. d) Tecnologia Robótica:  Para manter o contato com o operador que está com o bastão e o prisma, a FOCUS 30® utiliza uma comunicação via rádio de 2,4Ghz. Uma vez estabelecidas as comunicações , todas as funções da FOCUS 30® podem ser controladas à distância, através de um coletor de dados com rádio, tornando possível a realização das medições com alta precisão ou até levantamentos topográficos sem auxiliar em campo.

 

2-  Utilizando a técnica RTK (UHF/GSM)

A técnica RTK, com receptores GNSS para locação, é rápida, precisa e ainda reduz o número de profissionais em campo quando comparada com o uso de estação total ou teodolito. Quanto à produtividade, o uso da técnica RTK, voltado à locação de estradas, terraplenagem, loteamentos, barragens, obras de redes pluviais e rede de esgoto, pode aumentar em até cinco vezes a velocidade de trabalho.

O uso do RTK só fica restrito ao ambiente de trabalho caso existam muitos obstáculos que interfiram na visibilidade dos satélites rastreados. As imagens, abaixo, mostram a tela do software na coletora locando em RTK , o caminho a ser percorrido de acordo com um azimute e a distância para dar referência ao usuário.

 

Conclusão:

Através do posicionamento com técnicas e métodos apresentados anteriormente, conclui-se que é possível obter resultados com diferentes níveis de precisão, dependendo do equipamento utilizado, da metodologia adotada e do processamento empregado.

Já no que concerne à locação de pontos, que as Estações Totais obterão coordenadas na casa de milímetros e os receptores GNSS de centímetros, bem como, que a obtenção de coordenadas em tempo real deverá ser feita conforme a necessidade de cada projeto.

 


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