LiDAR ou Fotogrametria: Qual Usar
O LiDAR mede a distância com pulsos de laser e monta a nuvem de pontos sem depender de luz. A fotogrametria reconstrói os pontos 3D a partir de fotos com sobreposição e depende da câmera. Abaixo, a diferença por critério, onde cada tecnologia entra na nossa linha (drones DJI, Stonex e FJD) e o que o INCRA aceita de cada uma.
Atualizado em 15 de outubro de 2026
Como cada tecnologia mede
As duas entregam pontos em 3D, mas chegam lá por caminhos diferentes. É essa diferença que decide qual serve para o seu serviço.
LiDAR: o laser mede a distância
O scanner dispara pulsos de laser e calcula a distância pelo tempo de ida e volta de cada pulso (tempo de voo). Para cada ponto, registra distância, ângulo, horário e intensidade do retorno.
SLAM: anda e mapeia ao mesmo tempo
No scanner portátil, o SLAM calcula em tempo real a posição e a orientação do laser e encaixa cada quadro da nuvem no anterior pelas feições do ambiente. O erro se acumula com o tempo e a distância; loop, pontos de controle ou RTK seguram a precisão.
Fotogrametria: pontos a partir das fotos
A fotogrametria gera pontos 3D a partir de fotos ou vídeo, com sobreposição entre as imagens. Na aérea, o drone fotografa a área; nos receptores GNSS com câmera, o ponto é marcado nas fotos e o app calcula a coordenada.
Luz: o laser não precisa, a câmera precisa
O laser mede a geometria sem depender de luz externa, por isso funciona no escuro. A cor da nuvem vem das câmeras, calibradas com o laser, e câmera depende de luz. Na fotogrametria, a foto é o próprio dado.
LiDAR × fotogrametria por critério
Comparação qualitativa, feita a partir das fichas dos fabricantes e do Manual Técnico de Georreferenciamento do INCRA (2ª edição). Os números de cada modelo estão nos blocos por marca, mais abaixo.
| Critério | LiDAR (laser scanner) | Fotogrametria (drone ou câmera) |
|---|---|---|
| Como mede | Distância direta, pelo tempo de voo do pulso de laser. | Reconstrói pontos 3D a partir de fotos ou vídeo com sobreposição. |
| Vegetação | No processamento, a nuvem é classificada em solo, vegetação e edificação, com extração do terreno e curvas de nível. Há scanners que registram mais de um retorno por pulso de laser. | Os pontos saem das fotos: o modelo mostra o que a câmera registrou. |
| Interior, subsolo ou sem luz | O SLAM não depende de GNSS e o laser não depende de luz: interior, túnel, galeria e mina estão entre os ambientes previstos. Cuidado com lugar de poucas feições, como galeria reta ou corredor longo. | A câmera depende de luz. |
| Cor e textura | A cor vem das câmeras do scanner, calibradas com o laser. No escuro a geometria sai; a cor, não. | A imagem é o dado de origem: cor e textura vêm das próprias fotos. |
| Área grande e aberta | No SLAM o erro cresce com a distância. Em área aberta, o RTK corrige a trajetória, principalmente onde não dá para fechar loop. Scanner em drone levanta a área de cima. | O drone fotografa a área de cima. O Matrice 4E voa até 49 minutos sem vento, segundo a DJI. |
| Precisão | Depende do modelo e da coleta (loop, pontos de controle ou RTK). Os fabricantes declaram precisão relativa e absoluta, em geral como valor máximo e conforme o ambiente. | Na aerofotogrametria, a precisão do produto se comprova com pontos de checagem; no INCRA, a precisão declarada do vértice é o RMS dessa avaliação. O RTK do drone é a precisão da posição da aeronave. |
| Pontos de apoio | Sem RTK, PPK ou pontos de controle, a nuvem fica num sistema local, o do primeiro quadro. | Para o INCRA, a aerofotogrametria exige pontos de checagem separados dos pontos de controle. |
| Processamento | A nuvem é gerada no software do fabricante (SLAM, colorização, registro) e exportada em formatos de nuvem, como LAS e E57. | Nos receptores com câmera, o app de campo calcula o ponto marcado nas fotos. Na aerofotogrametria para o INCRA, guardam-se os relatórios do levantamento aéreo e da acurácia. |
| Georreferenciamento INCRA | Só o laser aerotransportado (PS3) é método previsto, e só para vértice V. Scanner a pé, de mochila ou de carro não está nas tabelas do Manual. | Só a aerofotogrametria (PS1) é método previsto, e só para vértice V. A foto do receptor no bastão não é método para vértice de limite. |
Quando escolher cada um
LiDAR quando o ambiente é interno, subterrâneo ou escuro (túnel, galeria, mina, poço de elevador), quando você precisa da geometria com detalhe (tomadas, sprinklers e equipamentos aparecem na nuvem, que vira planta, desenho CAD/BIM, volume e seção) ou quando o trabalho é florestal, com altura, DAP e posição por árvore.
Fotogrametria quando a imagem faz parte da entrega, quando o ponto é de difícil acesso num levantamento GNSS (o receptor com câmera mede pela foto, sem levar o bastão até lá) ou quando a área aberta é fotografada de cima pelo drone, com pontos de controle e de checagem.
Os dois juntos é o que fazem os scanners com câmera: o laser dá a geometria e as fotos dão a cor, as panorâmicas e o modelo 3D com textura.
Onde cada tecnologia entra
Fotogrametria aérea com drones DJI, fotogrametria no receptor GNSS e LiDAR SLAM nas linhas Stonex e FJD. Um bloco por marca.
Drones DJI: fotogrametria aérea
DJI Matrice 4E: câmera grande angular de 20 MP, com sensor 4/3 e obturador mecânico, mais média teleobjetiva e teleobjetiva de 48 MP; RTK de 1 cm + 1 ppm na horizontal e 1,5 cm + 1 ppm na vertical com solução fixa; até 49 minutos de voo sem vento. Dados da DJI.
DJI Matrice 400: é o drone da linha que leva os scanners Stonex X120GO v2 e X200GO, no modo PPK, segundo o catálogo Stonex.
Drone é só venda. A autorização e o cadastro de voo nos órgãos ficam com quem opera. Drone para topografia: qual escolher · Drones com RTK
Stonex: fotogrametria no GNSS e LiDAR SLAM
S1000: receptor GNSS com duas câmeras, fotogrametria até 20 m (RTK + foto: 5 mm + 2 mm/m) e laser até 30 m no mesmo equipamento. S999: duas câmeras; mede pontos inacessíveis por fotos e vídeo, com o cálculo feito no Cube-a.
LiDAR SLAM: o X40GO tem laser de 70 m, sem GNSS, pensado para levantamento interno e plantas. O X120GO v2 chega a 120 m, registra 2 retornos por pulso e tem GNSS integrado, com precisão relativa de até 6 mm e global de até 2 cm (5 cm em drone), conforme o ambiente. O X200GO chega a 300 m, com 3 retornos e GNSS integrado. X120GO v2 e X200GO vão em drone DJI M300/M350 (RTK) e M400 (PPK); o pós-processamento é no GOpost.
X40GO e X120GO: diferenças · Stonex no Brasil: importação direta
FJD: medição visual no GNSS e LiDAR SLAM
Trion V10i: receptor GNSS com duas câmeras e Visual Measure, que mede pontos pela imagem com precisão típica de 3 cm a distâncias de 2 a 15 m; faz também fotogrametria por vídeo.
LiDAR SLAM: o Trion P1 alcança 70 m (alvo de 80%) a 200.000 pontos/s, e a cor vem da câmera 360 externa. O Trion P2 faz 200.000 pontos/s, tem câmeras embutidas e RTK/PPK integrado, com 1 cm de precisão relativa e 3 cm absoluta em ensaio de laboratório. O Trion S2 chega a 120 m (300 m no S2 Max) e tem suporte para drone (Drone Mount).
Trion Model: o software classifica a nuvem em solo, vegetação e edificação, extrai o terreno e gera curvas de nível já no plano básico.
Trion P1, P2, S1 e S2: qual escolher · V10i e V10L: GNSS com fotogrametria e laser
Georreferenciamento: o que vale para cada um
Aerofotogrametria (PS1) é método previsto no Manual Técnico de Georreferenciamento (2ª ed.), inclusive com drone, mas só gera vértice V e não serve para vértice M. Exige GSD compatível com a feição, pontos de checagem separados dos pontos de controle e avaliação de acurácia, cujo RMS é a precisão declarada do vértice (itens 3.4 e 3.4.1). Não dispensa a ida a campo: a identificação do limite é feita in loco, com os confrontantes presentes (item 2.3.1).
Laser scanner aerotransportado (PS3) é o único laser previsto. Também só gera vértice V, e o aerolevantamento exige habilitação no Ministério da Defesa, homologação da ANAC e ART da executora (item 3.4). Scanner SLAM a pé, de mochila ou de carro não está entre os métodos das Tabelas 6 e 7.
A foto ou o laser do receptor GNSS servem para levantamento, detalhe e ponto de difícil acesso. Para vértice de limite no SIGEF, o ponto é medido pelo GNSS. Detalhes em equipamento para georreferenciamento.
O que dá para alugar
A Alezi Teodolini é pioneira em locação de equipamentos topográficos. A partir de 2 dias, sem caução e com contrato assinado on-line.
Drone
Não alugamos. Os drones DJI Matrice 4E e Matrice 400 são só venda.
Laser scanner Stonex
X40GO e X120GO da primeira geração. Na locação do X120GO vai só o laser, sem mochila, kit veicular ou câmera.
Laser scanner FJD
Trion P1 e Trion P2, com o Trion Model em licença temporária durante a locação.
GNSS com câmera
Stonex S999 e FJD Trion V10i também saem na locação. O S1000 é só venda.
Antes de escolher
LiDAR ou fotogrametria: qual escolher?
Depende do ambiente e do que você precisa entregar. Em interior, túnel, galeria ou trabalho no escuro, o LiDAR, porque o laser mede a geometria sem depender de luz e o SLAM não depende de GNSS. Quando a imagem faz parte da entrega, ou quando o ponto é de difícil acesso num levantamento GNSS, a fotogrametria. Nos scanners com câmera você tem as duas coisas: a geometria do laser e a cor das fotos.
Laser scanner funciona no escuro?
Funciona. O laser mede a geometria sem depender de luz, então a nuvem de pontos sai normalmente no escuro. A cor da nuvem é outra história: ela vem das câmeras, que precisam estar calibradas com o laser, e câmera depende de luz.
Fotogrametria com drone serve para georreferenciamento no INCRA?
Só em parte. A aerofotogrametria (PS1) é método previsto, mas só gera vértice V, não serve para vértice M, exige pontos de checagem separados dos pontos de controle e não dispensa a ida a campo (Manual Técnico, itens 3.4 e 3.4.1). Os vértices de limite continuam saindo do GNSS ou da estação total.
Laser scanner serve para medir vértice de limite no SIGEF?
Não. O único laser previsto no Manual Técnico é o laser scanner aerotransportado (PS3), que só gera vértice V, não serve para vértice M e exige habilitação no Ministério da Defesa, homologação da ANAC e ART. Scanner a pé, de mochila ou de carro não está entre os métodos das Tabelas 6 e 7. O GNSS do scanner serve para georreferenciar a nuvem.
Preciso de pontos de controle no levantamento com LiDAR?
Para ter coordenada absoluta, sim, ou então RTK ou PPK. Sem nenhum deles, o SLAM trabalha num sistema local, o do primeiro quadro do escaneamento. Mesmo com RTK ou pontos de controle, fechar loop continua sendo o recomendado para segurar o erro acumulado.
Vocês alugam drone ou laser scanner?
Drone não: os drones DJI Matrice 4E e Matrice 400 são só venda. Laser scanner sim, a partir de 2 dias e sem caução. Na linha Stonex, saem o X40GO e o X120GO da primeira geração. Na linha FJD, o Trion P1 e o P2.
